Loulé: III Jornadas Municipais da Sustentabilidade e Ação Climática iniciaram Semana do Município

Durante a manhã desta sexta-feira, 7 de maio, João Pedro Matos Fernandes, Ministro do Ambiente e da Ação Climática, fez a abertura das III Jornadas Municipais da Sustentabilidade e Ação Climática de Loulé, que decorreram no Cineteatro Louletano, cujo evento anual reúne especialistas em torno das ações desenvolvidas pela Câmara de Loulé, mas também dirigentes e técnicos da Autarquia envolvidos no processo, numa matéria cada vez mais premente.

O governante aproveitou a oportunidade para falar do compromisso político alcançado há cerca de duas semanas para que a Europa tivesse uma Lei do Clima, sendo o primeiro continente do mundo a assumir ser neutro em carbono em 2050.

“A Europa está num muito bom caminho e isto aconteceu sob os auspícios e um grande empenhamento de todos nós durante a presidência portuguesa da União Europeia. Portugal mereceu estar na presidência do Conselho no dia em que esta lei foi aprovada porque foi também o primeiro país do mundo a assumir que, em 2050, será neutro em carbono. Portugal tem já um punhado bom de bons exemplos e Loulé é um deles”, disse João Pedro Matos Fernandes.

Perante uma plateia que se tem dedicado a um trabalho conjunto, o Ministro deixou clara a responsabilidade das autarquias na criação de políticas que respondam à problemática das alterações climática. “Só ganhamos este desafio se as autarquias tiverem o compromisso e o modelo que Loulé tem”, afirmou ainda o governante.

Pretende-se transformar Loulé num território mais resiliente às alterações climáticas

Durante a sessão, Sérgio Barroso, do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, Lda, apresentou o Plano Municipal de Ação Climática do Município de Loulé, um documento estratégico que conjuga as questões da adaptação e da mitigação, convergindo estas no princípio da sustentabilidade. Foram apresentadas algumas das medidas e ações prioritárias para responder aos fenómenos extremos expectáveis para este território nos anos que se aproximam, como seja períodos de seca frequentes, aumento da temperatura ou episódios extremos de precipitação que poderão levar a situações de cheias. No fundo, pretende-se transformar Loulé num território mais resiliente às alterações climáticas.

Quanto a Miguel Freitas, trouxe a esta sessão a Agenda de Sustentabilidade “Floresta, Biodiversidade e Desenvolvimento Rural do Concelho de Loulé 20-25” – Programa de Avaliação, Mapeamento e Valoração dos Serviços Ecossistémicos do Concelho de Loulé. Um trabalho que está a ser desenvolvido com enfoque no interior e nos 93% do território concelhio que corresponde a uma área agroflorestal. Este é de resto um processo abrangente, que aborda matérias como a resiliência aos incêndios florestais, para a qual o Município louletano já canalizou 3 milhões de euros, ações relacionadas com a gestão da paisagem, em que Salir é o único território nacional integrado num projeto europeu, ou a valorização da Floresta Mediterrânica, já em curso numa parceria com a Fundação Manuel Viegas Guerreiro. Todos estes temas serão um contributo importante para o Aspirante Geoparque Algarvensis.

No encerramento da sessão das Jornadas, Vítor Aleixo manifestou a importância em envolver nas matérias da emergência climática, não só toda a estrutura orgânica municipal como a sociedade civil, as comunidades escolares ou os empresários, num total de mais de 60 entidades que participam no Conselho Local de acompanhamento à EMAAC.

“Há um cerco que está a ser montado para despertar consciências no que diz respeito à política climática e às políticas de sustentabilidade”, disse o edil louletano.

Na conclusão dos trabalhos, o responsável municipal garantiu que estas jornadas são para continuar porque o caminho que se quer trilhar passa por “adaptar a vidas das instituições e da nossa coletividade às exigências da mudança brusca do clima, que coloca em perigo a nossa vida neste mundo”.

Refira-se que, de entre os projetos da autarquia, no que respeita às políticas ambientais, destaca-se a plantação de 400 mil árvores nos próximos 5 anos, a criação de um parque de 600 bicicletas públicas em Quarteira, Vilamoura, Loulé e Almancil e a criação de uma reserva natural local na zona da Almargem.

Fonte: Diário Online – Região Sul

8/05/2021