Água do mar pode subir quase um metro, temperatura média até 3,2 graus. Como a Grande Lisboa se vai adaptar à emergência climática

Área metropolitana tem pronto o plano de resposta para combater os efeitos do maior perigo em todo o mundo nos 18 municípios da região. Alterações climáticas, que já têm hoje impactos concretos na Grande Lisboa, estão agora estudadas com o horizonte em 2100.

 

Não há soluções milagrosas, individuais ou imediatas para uma região travar os problemas resultantes das alterações climáticas. Só uma resposta o mais abrangente possível, planeada para cobrir todos os planos e (re)cantos onde os perigos se perfilam, aspira a resultados efetivos.

Desde a década de 70 do século XX estão identificadas na Área Metropolitana de Lisboa (AML), segundo um documento desta entidade, “subidas consistentes das temperaturas médias e máximas, ocorrência cada vez mais regular e intensa de ondas de calor e de secas, e a redução dos volumes pluviométricos globais”. Em paralelo, o nível médio do mar do litoral metropolitano tem vindo a subir.

Mesmo que as metas da descarbonização à escala planetária sejam alcançadas, “a inércia do sistema climático global originará a manutenção de todas as tendências recentes até ao final deste século”, alerta o mesmo estudo. Ou seja: na AML, em 2100, a subida da temperatura média poderá chegar a 3,2 graus (e na máxima a 3,5 graus). Quanto a dias/ano em onda de calor, o aumento poderá ser de 23 dias – e de mais 34 noites tropicais/ano. Já a subida máxima do nível geral do mar andará perto de um metro (95 centímetros).

Para obstar a tais cenários, a AML tem desde ontem o seu “plano de adaptação” às alterações climáticas, com o qual os 18 municípios da região, dentro da estratégia nacional já definida, se preparam para enfrentar os quatro riscos “prioritários”: temperaturas elevadas; subida do nível médio das águas do mar; secas; e cheias e inundações.

“Adaptar” é, pois, o verbo que organismos públicos, e também agentes privados, terão de conjugar bastante mais vezes num futuro que, na verdade, já começou. E fá-lo-ão, segundo o Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas (PMAAC) , com uma panóplia de cerca de 190 “opções de adaptação”, direcionadas para os vários efeitos de cada um dos referidos riscos.

Aquelas respostas – entre outros exemplos, vão da criação de mais espaços de sombreamento em meio urbano a mais apoios à melhoria da qualidade térmica dos edifícios, ou da construção de muros contra inundações à retirada de habitações, equipamentos e infraestruturas em zonas costeiras – não estão calendarizadas, muito menos havendo estimativas de custos. Sérgio Barroso, o geógrafo que coordenou o PMAAC, explica que o mesmo “não tem uma natureza operacional”.

Segundo o responsável, “caberá aos municípios executar os projetos”, nos respetivos concelhos. O plano é selado esta sexta-feira em Lisboa com um “compromisso político metropolitano para a adaptação climática”, pelos presidente de câmara da AML. Há, todavia, projetos estratégicos, de dimensão intermunicipal, cujas intervenções devem estar definidas no primeiro semestre de 2020.

Quanto à concretização das “opções de adaptação” (o plano tem uma cenarização até 2100), ela terá várias velocidades. “Se a subida do nível das águas é um novo desafio, sobretudo nos estuários do Tejo e do Sado, já as temperaturas elevadas, as secas, e as cheias e inundações são problemas existentes, cuja dimensão se vai agravar”, diz Barroso. “Os riscos não são idênticos, pois há situações mais perigosas no curto e médio prazo. Logo, o nível de urgência é diverso”, acrescenta.

Fonte: Jornal Expresso

6/12/2019